Após chantagens de Lira, Câmara retoma votação da PEC dos Precatórios

17.08.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

Após chantagens de Lira, Câmara retoma votação da PEC dos Precatórios

avatar
Antonio Temóteo
avatar
Wilson Lima
4 minutos de leitura 09.11.2021 07:00 comentários
Brasil

Após chantagens de Lira, Câmara retoma votação da PEC dos Precatórios

Após uma série de manobras comandadas por Arthur Lira (PP-AL), a Câmara dos Deputados retoma hoje, a partir das 9h, a votação da PEC dos Precatórios. O texto adia a quitação de sentenças judiciais e cria uma gambiarra no teto de gastos...

avatar
Antonio Temóteo
avatar
Wilson Lima
4 minutos de leitura 09.11.2021 07:00
Após chantagens de Lira, Câmara retoma votação da PEC dos Precatórios
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Após uma série de manobras comandadas por Arthur Lira (PP-AL), a Câmara dos Deputados retoma hoje, a partir das 9h, a votação da PEC dos Precatórios. O texto adia a quitação de sentenças judiciais e cria uma gambiarra no teto de gastos para viabilizar o pagamento de um Auxílio Brasil de R$ 400.

Na semana passada, o texto-base passou com o apoio de 312 deputados, quatro a mais que o mínimo necessário para se aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional. Antes do segundo turno, porém, os deputados vão discutir 11 “destaques”, que são propostas de modificação à PEC. Assim como na proposta original, cada destaque precisa de 308 votos para ser aprovado.

Somente após a votação dos destaques, é que a Câmara votará o segundo turno da PEC. Caso ela seja aprovada, o projeto segue para o Senado Federal.

Ao longo do final de semana, Lira intensificou as articulações em favor da PEC. Como mostramos, ele vai conceder um feriado prolongado aos parlamentares e monitorou voos de congressistas.

Além disso, ele autorizou uma mudança legislativa no regimento interno da Câmara para permitir a votação, de forma remota, dos deputados doentes ou parlamentares gestantes. Na semana passada, já havia sido autorizada a votação de deputados que estavam fora de Brasília em missão especial.

Lira, os líderes do Centrão, e a base do governo têm pressionado os deputados que não votaram no primeiro turno a votar na sessão de hoje.

Ao todo, 53 deputados faltaram à votação da semana passada. Destes, 36 são de partidos de centro ou de apoio ao governo. Entre os deputados “fujões”, dez são do MDB; sete do PSL; seis do DEM; três do PTB; três do PP de Lira; três do PSDB; dois do Republicanos, um do PSD e um do Pros.

Os aliados de Lira acreditam que podem conquistar até 25 votos dos “fujões”. Dessa forma, a expectativa da base do governo é aprovar a PEC, em segundo turno, com o apoio de 320 parlamentares.

Do outro lado, partidos de oposição como o PDT e o PSB estão pressionando seus parlamentares a virar votos e três deputados vão reassumir seus respectivos mandatos para votar contra o texto.

A proposta abre um espaço fiscal de R$ 91,6 bilhões no orçamento, segundo o Ministério da Economia. Desse total, R$ 47 bilhões decorrem da gambiarra no teto de gastos e os R$ 44,6 bilhões restantes do adiamento no pagamento dos precatórios. Além de usar esses recursos para bancar o Auxílio Brasil, os parlamentares esperam aumentar de R$ 2 bilhões para R$ 5 bilhões o fundo eleitoral e direcionar R$ 16 bilhões para as chamadas emendas de relator.

No caso do teto de gastos, a norma em vigor determina que a despesa de cada ano deve se limitar à do ano anterior, corrigida pela inflação acumulada entre julho e junho. Pela proposta do relator Hugo Motta, a regra levará em conta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado entre janeiro e dezembro.

Essa gambiarra levou quatro secretários do Ministério da Economia a pedir demissão.

O texto também autoriza o parcelamento de débitos das contribuições previdenciárias dos municípios, com vencimento até 31 de outubro de 2021, inclusive os parcelados anteriormente, no prazo máximo de 240 meses. Após essa manobra, a Confederação Nacional dos Municípios passou a apoiar oficialmente a PEC.

No caso dos precatórios, a proposta cria um teto de gastos para essas dívidas judiciais. Com isso, dos R$ 89 bilhões previstos para 2022, serão pagos R$ 39,8 bilhões — quase R$ 50 bilhões serão adiados para os anos seguintes. Além disso, haverá uma fila de credores.

Serão pagas primeiramente, em 2022, as chamadas Requisição de Pequeno Valor (RPV), dívidas de até R$ 66 mil. Em seguida, os débitos com idosos e pessoas com doenças graves.

Após um acordo de líderes, o relator incluiu entre as prioridades a quitação de dívidas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Pela proposta, 40% devem ser pagos em 2022, 30% em 2023 e outros 30% em 2024.

Quem não se enquadrar poderá fazer acordo para receber o valor de uma só vez, com desconto de 40%. Outra opção é receber uma parte de 15% à vista e o restante dividido em nove parcelas anuais. Os acordos serão regulados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e serão feitas em tribunais específicos para esse fim.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Marçal diz que declaração de R$ 7,4 bilhões ao TSE está errada

Marçal diz que declaração de R$ 7,4 bilhões ao TSE está errada
2

Carluxo foge do primeiro debate ao Senado em Santa Catarina

Carluxo foge do primeiro debate ao Senado em Santa Catarina
3

Governo Trump chama de “censura” regra eleitoral brasileira para o X

Governo Trump chama de “censura” regra eleitoral brasileira para o X
4

Lula vai fugir do debate da Band?

Lula vai fugir do debate da Band?
5

Flávio assiste à derrota do Vasco, encontra Neymar e é vaiado

Flávio assiste à derrota do Vasco, encontra Neymar e é vaiado
6

PF localiza avião de R$ 120 milhões de Vorcaro no Paraguai

PF localiza avião de R$ 120 milhões de Vorcaro no Paraguai
7

EUA avaliam novas sanções a Moraes, diz Financial Times

EUA avaliam novas sanções a Moraes, diz Financial Times
8

Nexus: Lula e Flávio iniciam campanha com 3 pontos de diferença no 2º turno

Nexus: Lula e Flávio iniciam campanha com 3 pontos de diferença no 2º turno
9

Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial

Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
10

Reiniciar Lula é admitir seu fracasso

Reiniciar Lula é admitir seu fracasso
1

“Lula e Flávio não são alternativas”, diz Renan Santos

“Lula e Flávio não são alternativas”, diz Renan Santos
2

Eleições 2026: o circo começou

Eleições 2026: o circo começou
3

Haddad põe o eleitor para dormir em vídeo que lança campanha

Haddad põe o eleitor para dormir em vídeo que lança campanha
4

Caiado dá início à campanha e diz ser o único capaz de derrotar Lula

Caiado dá início à campanha e diz ser o único capaz de derrotar Lula
5

Amin se apresenta como "catarinense raiz" contra Carlos Bolsonaro

Amin se apresenta como "catarinense raiz" contra Carlos Bolsonaro
6

Romero Jucá registra candidatura após Dino suspender condenação

Romero Jucá registra candidatura após Dino suspender condenação
7

Janja homenageia Marisa Letícia em 1º ato de campanha de Lula

Janja homenageia Marisa Letícia em 1º ato de campanha de Lula
8

Michelle: “Vamos eleger Flávio Bolsonaro presidente”

Michelle: “Vamos eleger Flávio Bolsonaro presidente”
9

“Vou ser o próximo presidente”, diz Flávio em 1º ato de campanha

“Vou ser o próximo presidente”, diz Flávio em 1º ato de campanha
10

“O Brasil não é um país fracassado, é um país roubado”, diz Zema

“O Brasil não é um país fracassado, é um país roubado”, diz Zema
1

Pão de queijo: 6 receitas fáceis para fazer em casa, do tradicional ao recheado

Pão de queijo: 6 receitas fáceis para fazer em casa, do tradicional ao recheado
2

Crusoé: Drible em Mendonça vira gol contra de vazamento

Crusoé: Drible em Mendonça vira gol contra de vazamento
3

Crusoé: Trump exige rendição do Irã e ameaça bombardear Omã

Crusoé: Trump exige rendição do Irã e ameaça bombardear Omã
4

Aprovação de Lula cai abaixo de 30% no Lulômetro

Aprovação de Lula cai abaixo de 30% no Lulômetro
5

Cansaço ou problema neurológico? Veja as causas do “brain fog” e quando ele deixa de ser normal

Cansaço ou problema neurológico? Veja as causas do “brain fog” e quando ele deixa de ser normal
6

Netflix: veja 5 filmes e séries que estreiam entre 17 e 23 de agosto de 2026

Netflix: veja 5 filmes e séries que estreiam entre 17 e 23 de agosto de 2026
7

Marçal avisou Flávio sobre candidatura: “Você não terá problema comigo”

Marçal avisou Flávio sobre candidatura: “Você não terá problema comigo”
8

Meio-Dia em Brasília: a nova ameaça da Magnitsky contra Moraes

Meio-Dia em Brasília: a nova ameaça da Magnitsky contra Moraes
9

Ricardo Salles adota caravana “Fora Lula” em campanha ao Senado

Ricardo Salles adota caravana “Fora Lula” em campanha ao Senado
10

Dino afasta presidente do Tribunal de Contas do Maranhão após caso de assassinato

Dino afasta presidente do Tribunal de Contas do Maranhão após caso de assassinato

Tags relacionadas

Arthur Lira PDT PEC do Calote PEC dos Precatórios PSB
< Notícia Anterior

A que ponto chegamos, Bolsonaro?

09.11.2021 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Morre Iris Rezende, ex-governador de Goiás

09.11.2021 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Antonio Temóteo

Antonio Temóteo é jornalista formado pelo UniCeub. Foi repórter do Correio Braziliense e do UOL. Nesse período, se especializou na cobertura política e econômica em Brasília. Acompanhou o impeachment de Dilma Rousseff e a aprovação de diversas pautas econômicas no Congresso Nacional. Entre outros prêmios, ganhou duas vezes o Esso de Informação Econômica e duas vezes o Abrapp, focado em matérias sobre fundos de pensão.

avatar

Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

Suas redes

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.