Há uma espécie de surto coletivo dos progressistes brasileiros após os atentados terroristas do Hamas contra Israel. Aqui digo progressistes em vez de progressistas de propósito, para definir bem quem é o grupo.
Falo daqueles tipos que costumam se fantasiar com bonés do MST nos camarotes da vida, defendem pautas seriíssimas como gênero neutro e bradam contra o americanismo enquanto copiam todas as pautas do movimento woke.
É um pessoal que ama xingar de nazista quem ouse se colocar contra a ideologia deles. Mas, diante de um atentado terrorista bárbaro contra judeus, esquecem essa história de nazismo e defendem os terroristas.
Experimente dizer qualquer coisa sobre as pautas identitárias e verá a fúria dos canceladores. Estranhamente, eles próprios defendem um grupo terrorista teocrático que mata homossexuais e nega cidadania às mulheres.
Há muitos progressistes comemorando o que o Hamas fez: seria uma reação justa a décadas de genocídio cometido pelos judeus israelenses, com a ajuda dos Estados Unidos.
Não aprovo, mas consigo entender o raciocínio de quem defenda ações violentas com as quais se beneficie. Aqui é impossível compreender. O progressiste brasileiro defende ações que o aniquilariam e grupos que não o consideram digno de viver.
O conflito na faixa de Gaza ainda vai continuar e escalar. É algo nunca antes visto mesmo por aquela região e envolve bem mais do que Israel e Palestina.
O governo de Israel estava fazendo uma série de acordos com países árabes sunitas, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O último, aliás, já fez comunicado oficial condenando o Hamas.
O Irã nega, mas há suspeitas de participação na história. O Hamas, aliás, não passa de uma organização terrorista financiada e armada pelo Irã, que é muçulmano xiita e vive em atrito com os sunitas.
Nós, no Brasil, temos de saber quem somos neste conflito. Israel é a única democracia liberal da região. Mulheres podem ser independentes e têm direitos iguais aos dos homens. Homossexuais podem viver livremente e gozar de seus direitos.
Precisamos, sim, separar povos árabes de grupos terroristas que surgem no seio deles. A diferença está precisamente nos atos terroristas, que prejudicam também os povos árabes. Sonegar direitos a mulheres e criminalizar homossexualidade não é, no entanto, exclusividade dos terroristas. É típico dos regimes da região, excluindo Israel.
Nós, brasileiros, seríamos nesse conflito o pessoal que foi para a festa rave. Aliás, era uma franquia brasileira. Estavam ali pela música eletrônica, sem entender muito da região, e acabaram no meio de um atentado terrorista. Foi um massacre.
Mais de 200 mortos que nem sequer entenderam direito o que estava acontecendo. Não ofereciam perigo algum, e uma boa parte nem morava em Israel, não fazia parte do tal conflito que dura décadas e estava sendo vingado.
Podemos estar diante de uma nova Guerra Fria. De um lado vão estar as democracias liberais, como Europa e Estados Unidos. São países que não titubearam em condenar com veemência este ato terrorista e a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Do outro lado, estão ditaduras e teocracias. São países que não respeitam direitos humanos. Boa parte apoia abertamente tanto o Hamas quanto a Rússia. Outros não apoiam abertamente, apenas relativizam, passam pano, evitam falar o nome do Hamas.
É importante saber em que bloco ficaremos. Um deles respeita liberdades individuais e o outro admite que vidas sejam eliminadas devido a um estilo de vida que religiosos não aceitam.
Quando temos liberdade, parece impossível retroagir ao obscurantismo. Irã e Afeganistão, que tinham costumes parecidos com os ocidentais há 50 anos, estão aí para nos mostrar o oposto.