Crise de dados no RH: entenda por que empresas não confiam nas próprias informações

15.03.2026

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Crise de dados no RH: entenda por que empresas não confiam nas próprias informações

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Crise de dados no RH: entenda por que empresas não confiam nas próprias informações

Fragilidade na base de dados pode comprometer planejamento, orçamento e decisões estratégicas nas organizações

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Nos últimos anos, o discurso sobre decisões baseadas em dados ganhou espaço no mundo corporativo. Inteligência artificial aplicada à gestão de pessoas, análise de produtividade e ferramentas de people analytics passaram a integrar a rotina de muitas empresas. No entanto, enquanto o debate avança em sofisticação tecnológica, um problema mais básico permanece pouco discutido: a confiança nas informações que sustentam essas análises.

Uma pesquisa recente realizada pela Tako (fintech de RH) indica que apenas 27,4% das empresas afirmam ter alta confiança nos dados da própria folha de pagamento. A maioria reconhece algum nível de limitação: 47,8% relatam ter apenas confiança média nesses dados, enquanto 11,5% dizem ter baixa ou nenhuma confiança. Outros 13,3% afirmam não saber avaliar o nível de confiabilidade das informações que utilizam.

Embora o tema pareça restrito aos bastidores dos recursos humanos (RH), ele tem impactos diretos na forma como empresas tomam decisões sobre contratação, remuneração, orçamento e produtividade — assuntos que afetam desde a organização do trabalho até a estabilidade financeira dos negócios.

“Existe uma crise de confiança silenciosa em dados de pessoas. Quando a liderança não confia na base de informações, as decisões passam a depender mais de estimativas ou percepção do que de evidências”, afirma Juliana Jordão, head de Pessoas da Tako.

Quando a incerteza chega ao planejamento

A fragilidade na qualidade dos dados também aparece na capacidade de prever custos relacionados aos funcionários. De acordo com o levantamento da Tako, 46,9% das empresas afirmam ter baixa precisão nas previsões orçamentárias da folha de pagamento. Já 22,1% relatam que sequer conseguem estimar com clareza o valor total da folha antes do fechamento mensal.

Na prática, isso significa que muitas organizações operam com pouca previsibilidade sobre um dos principais componentes de custo do negócio: as pessoas. Segundo Juliana Jordão, essa incerteza tende a ultrapassar o departamento de recursos humanos. “Quando os dados não são confiáveis, o financeiro perde capacidade de antecipar variações de custo, o planejamento tem dificuldade para ajustar cenários e a liderança acaba tomando decisões sem visibilidade completa dos impactos”, explica.

Duas pessoas sentadas e olhando para tela de um computador com dados do recursos humanos
Confiabilidade das informações de pessoas influencia desde decisões de expansão e contratação até políticas de remuneração (Imagem: Summit Art Creations | Shutterstock)

Um problema que raramente entra no debate

Apesar da crescente atenção dada à tecnologia e à transformação digital nas empresas, a discussão sobre a base de dados que sustenta essas ferramentas ainda é pouco presente no debate público. A confiabilidade das informações de pessoas influencia desde decisões de expansão e contratação até políticas de remuneração e avaliação de desempenho.

Sem uma base consistente, análises sofisticadas podem produzir interpretações distorcidas da realidade organizacional. “Hoje se fala muito sobre inteligência artificial e produtividade no trabalho. Mas nenhuma tecnologia resolve um problema estrutural de dados”, afirma Juliana Jordão.

Base sólida antes da tecnologia

Para especialistas em gestão de pessoas, a consolidação de dados confiáveis se tornou um pré-requisito para que as empresas consigam usar tecnologia de forma eficaz na tomada de decisões. Isso porque, em um cenário cada vez mais orientado por métricas, a qualidade das informações passa a ser tão importante quanto as ferramentas utilizadas para analisá-las.

“Antes de pensar em automação, inteligência artificial ou análises avançadas, é fundamental garantir que a base de dados esteja estruturada e confiável. Sem isso, as decisões continuam sendo tomadas no escuro”, conclui Juliana Jordão.

Por Rodrigo Sérvulo 

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