"A variante Ômicron está confirmando tudo o que prometeu"

12.07.2026

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O Antagonista

“A Ômicron está confirmando tudo o que prometeu”

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Diego Amorim
5 minutos de leitura 03.02.2022 17:17 comentários
Brasil

“A Ômicron está confirmando tudo o que prometeu”

O epidemiologista Pedro Hallal disse a O Antagonista nesta quinta-feira (3) que "a Ômicron está confirmando tudo o que prometeu". Ele lembrou que os primeiros dados referentes a essa variante do novo coronavírus, detectada inicialmente no sul da África, indicavam: 1) uma velocidade de transmissão bem maior que as variantes anteriores; 2) que pessoas infectadas teriam, em geral, uma forma mais branda de Covid; 3) o "furo" da vacina, embora com impacto maior da doença em não vacinados...

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Diego Amorim
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“A Ômicron está confirmando tudo o que prometeu”
Imagem: Fusion Medical Animation/Unsplash

O epidemiologista Pedro Hallal disse a O Antagonista nesta quinta-feira (3) que “a Ômicron está confirmando tudo o que prometeu”.

Ele lembrou que os primeiros dados referentes a essa variante do novo coronavírus, detectada inicialmente no sul da África, indicavam: 1) uma velocidade de transmissão bem maior que as variantes anteriores; 2) que pessoas infectadas teriam, em geral, uma forma mais branda de Covid; 3) o “furo” da vacina, embora com impacto maior da doença em não vacinados.

“Tudo isso está confirmado”, disse Hallal.

Mais cedo, noticiamos que a Ômicron fez a média de mortes por Covid subir 566% no Brasil em um mês. O Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IHME) da Universidade de Washingtoncomo mostramos em janeiro, já havia projetado um novo crescimento na média diária de mortes, com pico por volta de 1º de março – terça-feira de Carnaval.

Para Hallal, a onda da Ômicron no Brasil, como em outras partes do mundo, será mais curta que as anteriores: na avaliação dele, os números de casos e de mortes ainda devem subir um pouco mais, para, em seguida, entrarem em queda vertiginosa.

“É como um foguete: subida e descida muito rápidas”, comparou.

Hallal acrescentou que a escalada dos dados, ainda em curso, se deve principalmente ao fato de a Ômicron ser muito mais transmissível.

“Há números que mostram que a quantidade de pessoas infectadas pela Ômicron em um mês e meio equivale ao total de infectados em um ano e meio com o vírus original. Ela é muito mais transmissível: consegue infectar uma quantidade gigante de pessoas em um curto espaço de tempo. Ou seja, está infectando todo mundo ao mesmo tempo: é claro que vai transbordar. Você está enchendo uma panela de água: mesmo que a panela seja maior, alguma hora vai transbordar.”

Hallal afirmou também que “a pior notícia” da Ômicron foi justamente a confirmação de que a variante consegue escapar das vacinas. Por outro lado, há, igualmente, a constatação de que a letalidade — percentual de mortes no universo de infectados — chega a ser cinco vezes menor na comparação com a Delta, por exemplo.

“A Ômicron suplantou as outras variantes: onde a Ômicron circula, praticamente não circulam mais outras variantes. E é a primeira variante que ‘fura’ as vacinas. Antes, eram bem raros casos de reinfeção e de infecção em vacinados. Agora, mesmo os vacinados pegam a doença: em geral, casos muito mais leves, mas pegam mesmo.”

Leia também: Em diferentes estados, não-vacinados são maioria na UTIs

Ainda segundo Hallal, é ponto pacífico que novas variantes surgirão e que nada garante que elas serão menos transmissíveis e/ou menos agressivas. No entanto, o epidemiologista descarta as chances de “voltarmos à estaca zero” da pandemia.

Ele disse que, a esta altura, defender tese de “imunidade de rebanho” e cloroquina são praticamente a mesma coisa, ou seja, perder tempo. E afirmou que um esquema vacinal para Covid será algo praticamente certo nos próximos anos.

“Vamos precisar aplicar todas as doses necessárias para o momento. A gente [especialistas] não está sabendo comunicar direito: a discussão não é sobre terceira, quarta ou quinta dose; é sobre esquema vacinal. Não é a primeira vez que acontece de uma vacina precisar de um esquema vacinal. Isso é algo normal. Mas a gente não está sabendo comunicar isso. Então, algumas pessoas estão entendendo que a vacina está fracassando. E é justamente o contrário: a vacina está salvando muitas e muitas vidas. Sobre a imunidade coletiva, não se comprovou para essa doença a eficácia disso. Já está claro que quem teve Covid e, principalmente, quem está vacinado desenvolve proteção, mas essa proteção dura um tempo. Insistir em imunidade coletiva, com os dados que já temos, é parecido com insistir em eficácia de cloroquina.”

O imunopatologista e oncologista Bruno Filardi, doutor pela USP, afirmou a O Antagonista que o avanço da Ômicron não acompanhado de uma escalada no índice de letalidade no mesmo ritmo das infecções comprova que “as vacinas funcionaram muito bem, muito bem mesmo”.

“É óbvio que teremos mais mortes e que, em alguns casos, em razão de vários fatores, o quadro da doença se agravará, mesmo em vacinados. Mas o cenário atual de aumento do número de mortes é porque temos muito mais gente infectada. E a esmagadora maioria de internações graves é de não vacinados. Ou seja, é um epidemia de não vacinados.”

Para Filardi, “está provado que a ideia de Covid zero não vai acontecer”.

“A gente vai diminuir a Covid a uma gripe, principalmente em razão das vacinas, porque temos uma imensa população vacinada. Também com a infecção prévia, mas isso não pode ser uma estratégia, porque ‘é uma loteria’. No caso da Ômicron, por exemplo, tudo indica que a variante não suscita uma imunidade duradoura. Os números da Ômicron, em alguns lugares, já indicam que chegamos a um platô, daqui a pouco isso vai acabar. Mas a ideia de Covid zero é utopia e inalcançável.”

Leia também: “A gente precisa respeitar a ciência e aprender a conviver com o vírus”, diz deputado

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Diego Amorim

Se formou em jornalismo pela UnB. Trabalhou no Blog do Noblat e no Correio Braziliense. Gosta da notícia e dos bastidores dela em qualquer área. Entre outros prêmios, ganhou duas vezes o Esso de Informação Econômica e duas vezes o Embratel. Está em O Antagonista desde abril de 2016, quando se juntou à equipe para a cobertura do impeachment de Dilma Rousseff. Desde então, não tem dado sossego a políticos de todos os partidos em Brasília. É chefe de redação de O Antagonista em Brasília.

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