Bia Kicis, a "deputada mãe do voto impresso"; Confira

10.07.2026

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Bia Kicis, a “mãe do voto impresso”

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6 minutos de leitura 20.12.2021 09:00 comentários
Brasil

Bia Kicis, a “mãe do voto impresso”

Em 2021, a deputada Bia Kicis cumpriu a função que lhe foi estabelecida pelo governo no comando da CCJ e fez de tudo para favorecer Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a parlamentar, que a princípio não tinha o apoio do Centrão, mostrou-se bastante flexível e capaz de atender aos interesses do grupo. Kicis continuou a apoiar as manifestações golpistas do presidente e em seus atentados contra a saúde pública...  

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Bia Kicis, a “mãe do voto impresso”
Foto: Monumental Foto/PSL

Em 2021, a deputada Bia Kicis cumpriu a função que lhe foi estabelecida pelo governo no comando da CCJ e fez de tudo para favorecer Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a parlamentar, que a princípio não tinha o apoio do Centrão, mostrou-se bastante flexível e capaz de atender aos interesses do grupo.

Kicis continuou a apoiar as manifestações golpistas do presidente e em seus atentados contra a saúde pública.

Ainda nos últimos dias de 2020, ela defendeu a reabertura do comércio no Amazonas, em meio ao aumento no número de casos e mortes por Covid. Dias depois, em janeiro de 2021, Manaus viveu um colapso em seu sistema de Saúde, com falta de oxigênio nos hospitais superlotados e pessoas morrendo asfixiadas.

Na disputa pela Presidência da Câmara no início do ano, Bia Kicis tentou conseguir a presidência da CCJ, comissão mais importante da casa. A ideia não era vista com bons olhos por integrantes de seu próprio partido, que tinha direito ao posto, e muito menos pelas principais lideranças do Congresso. Ela é investigada no inquérito das fake news e no dos atos antidemocráticos.

Com a vitória do candidato do governo, Arthur Lira, em fevereiro, parlamentares articularam um acordo para que Kicis pudesse presidir a CCJ da Câmara. Ela se comprometeu a adotar um comportamento mais moderado, a “deixar de ser Bia Kicis”.

Lira disse que acompanharia de perto o trabalho do colegiado e afirmou que não permitiria que ela passasse do ponto. A CCJ, convenhamos, não é um problema para o presidente da Câmara, que costuma levar matérias diretamente ao plenário.

Pouco depois de assumir a comissão, Bia Kicis protagonizou um episódio que sintetizaria o seu comportamento nos meses seguintes. Durante uma sessão, a parlamentar pediu que a palavra “genocida”, usada por opositores em referência a Bolsonaro, fosse retirada dos registros taquigráficos.

O pedido provocou tumulto entre os deputados.

“A senhora está na condição de presidente da Comissão de Constituição e Justiça, e não de advogada de Jair Bolsonaro genocida, disse Fernanda Melchiona, do PSOL.

Em abril, Bia Kicis deu a sua primeira grande demonstração de que estava perfeitamente alinhada ao Centrão. Na calada da noite, deputados tentaram aprovar no colegiado uma PEC para mudar a composição do CNMP, aumentando a influência externa sobre o Ministério Público.

O texto previa que fosse nomeado um corregedor de fora do órgão.

A sessão acabou sendo suspensa.

Mais tarde, o texto evoluiria para o que ficou conhecida como a “PEC da Vingança”, que Lira levou direto ao plenário, atropelando a CCJ.

Como mostramos, a tentativa de Bia Kicis na CCJ foi resultado de um acordo com Renan Calheiros, que prometia suavizar as investigações contra o governo na CPI da Covid, que estava prestes a ser instalada.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro derretia nas pesquisas e intensificava seus ataques às instituições. Com medo de ser derrotado em 2022, o presidente passou a levantar suspeitas diariamente sobre a lisura do processo eleitoral, afirmando que as urnas eletrônicas são passíveis de fraude, e deu a senha para que as hostes martelassem a volta do voto impresso

Bia Kicis foi autora de uma proposta de emenda constitucional que previa a instalação do novo modelo. O presidente disse que ela era a “mãe do voto impresso”.

Demonstrando que não sabia lhufas sobre o que estava defendendo, a parlamentar afirmou, em uma comissão destina a examinar o tema, que o TSE contabilizava os votos em um computador chamado “Nuvem”, da Oracle.

Como mostramos, não existe uma máquina com esse nome, assim como os votos também não são computados em uma “nuvem”, mas sim na sede do tribunal.

O colegiado reprovou o texto por 23 votos a 11. Ainda assim, Lira levou a proposta ao plenário, onde também foi derrotada.

Assim como Jair Bolsonaro, Bia Kicis atribuiu o fracasso da implantação do voto impresso ao presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, que teria feito campanha para convencer os deputados de que o voto eletrônico é seguro.

Quando ainda tentava aprovar a proposta, a deputada recebeu em seu gabinete Beatrix von Storch, integrante do partido Alternativa pela Alemanha, conhecido por defender ideias de extrema-direita, inclusive nazistas. Em uma publicação nas redes sociais, ela celebrou: “Conservadores do mundo se unindo para defender os valores cristãos e a família”.

Enquanto isso, as investigações comandadas por Alexandre de Moraes no Supremo avançavam. Anotações obtidas pela Polícia Federal durante uma busca e apreensão em um endereço ligado ao blogueiro Allan dos Santos indicam que eles se encontravam para discutir temas como intervenção militar.

Mensagens de WhatsApp às quais a PF teve acesso apontam que Kicis havia se comprometido a negociar com o líder do governo a derrubar o depoimento de João Bernardo Barbosa à CPMI das Fake News. Ele seria um dos financiadores do Terça Livre, o canal de Allan dos Santos investigado por divulgar notícias falsas.

Em outubro, a Justiça finalmente enterrou um pedido feito por Bia Kicis para censurar a Crusoé. Em julho de 2020, a revista revelou que petistas e bolsonaristas atuavam juntos no Congresso para barrar a PEC da Segunda Instância e que Bia Kicis teve participação na articulação.

A deputada argumentava que a informação era falsa e o texto, ofensivo. Ela pedia uma indenização no valor de R$ 200 mil.

O desembargador Josaphá Francisco dos Santos afirmou que as afirmações feitas pela revista estão protegidas pela liberdade de expressão.

No relatório final da CPI da Covid, Renan Calheiros pediu o indiciamento da parlamentar por incitação ao crime.

Em novembro, ela conseguiu passar na CCJ da Câmara a proposta para a revogação da PEC da Bengala, que baixa a idade de aposentadoria compulsória dos ministros do STF, de 75 para 70 anos. Se o plano der certo, e é improvável que dê, mas no Brasil tudo é possível, Jair Bolsonaro poderia indicar mais dois integrantes do tribunal. Bia Kicis jamais deixará de ser Bia Kicis.

A deputada termina o ano sendo investigada pela PGR por suposto crime de racismo. Ao comentar a decisão do Magazine Luiza de fazer um processo seletivo apenas para pessoas negras, ela compartilhou uma postagem que trazia as fotos de Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro com efeito de black face. Acompanhava a frase: “Desempregado, o blogueiro Sergio Moro faz mudança no visual para tentar emprego no Magazine Luiza”.

Gente boa.

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