Campos Neto rebate narrativa de Lula

27.06.2026

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Campos Neto rebate narrativa de Lula

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 02.07.2024 16:19 comentários
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Campos Neto rebate narrativa de Lula

Presidente do Banco Central, Campos Neto apontou uma série de fatos que desmontam a narrativa de Lula em evento internacional

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Campos Neto rebate narrativa de Lula
Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, rebateu a narrativa que tem promovido Lula e seus aliados de que a instituição estaria politizada.

“Temos que separar a narrativa política e o trabalho técnico que devemos fazer. A história vai mostrar que o trabalho foi feito da melhor maneira com os dados que tínhamos à mão, da maneira mais técnica”, disse Campos Neto durante sua participação no Fórum sobre Bancos Centrais, promovido pelo Banco Central Europeu (ECB) em Portugal nesta terça-feira, 2 de julho.

Também estavam presentes os presidentes do Banco Central americano, o Fed, Jerome Powell, e do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.

O presidente do BC apontou uma série de fatos que desmontam a narrativa de Lula, dentre elas o fato de a última decisão de manter a taxa básica de juros (Selic), na semana passada, ter sido unânime, com quatro conselheiros indicados pelo próprio petista.

Ele também voltou a lembrar a alta dos juros ao longo de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro concorria à reeleição.

“No último ano do mandato do presidente anterior, aumentamos as taxas em um ciclo que passou de 2% para 13,75%. É o maior aumento em ano eleitoral na história de qualquer país emergente. são independentes e atuam de forma autônoma, é difícil encontrar outro exemplo como esse”, afirmou.

Ruídos

“Isso (queda de juros) teve muito mais a ver com muitos ruídos que criamos do que com os fundamentos. E os ruídos estão relacionados a duas coisas, uma é a expectativa na trajetória da política fiscal e a outra é a expectativa sobre o futuro da política monetária. Quando tivemos esses dois ao mesmo tempo, isso criou incerteza suficiente para nós“, afirmou Campos Neto no evento.

Na última reunião, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,5% ao ano, após sete cortes consecutivos iniciados em agosto do ano anterior, quando a taxa estava em 13,75%. A decisão de interromper o ciclo de quedas foi contrária ao desejo do presidente Lula, que vem criticando a decisão do banco e afirma “não ver explicação” para manter a Selic nesse patamar.

Campos Neto destacou que esses “ruídos” surgiram do desalinhamento entre os dados fiscais e as expectativas de melhoria dos indicadores econômicos. “Precisávamos interromper e ver como podemos consertar as expectativas e nos comunicar melhor para que possamos eliminar esses ruídos, porque existe uma grande desconexão com os dados atuais, tanto os dados fiscais quanto os de inflação e a expectativa. Então, o que aconteceu no Brasil é que a expectativa começou a se ancorar, mesmo que os dados atuais estejam vindo conforme o esperado“, completou ele.

De acordo com reportagem do O Globo, a ata da reunião, publicada dois dias após o encontro, indicou que a taxa básica de juros não deve cair tão cedo diante da deterioração do cenário observado pelo comitê para a inflação, como o cenário externo “adverso” e a atividade econômica mais forte. Além disso, reafirmou a necessidade de se manter uma “política fiscal crível”.

Contexto econômico e implicações futuras

Campos Neto enfatizou a importância de estabilizar as expectativas do mercado e alinhar a comunicação do Banco Central com os dados reais da economia. A manutenção da taxa de juros visa também a proteção contra uma possível escalada inflacionária, que poderia ser exacerbada por um cenário global incerto e uma atividade econômica doméstica aquecida.

Analistas do mercado financeiro destacam que a credibilidade da política fiscal é crucial para a confiança dos investidores e a estabilidade econômica a longo prazo. A postura do Banco Central é vista como um esforço para consolidar essa credibilidade e garantir que as expectativas de inflação permaneçam ancoradas.

Por outro lado, a pressão política para a redução dos juros deve continuar, especialmente por parte do governo federal, que busca estimular o crescimento econômico através de custos de financiamento mais baixos. A divergência entre as prioridades políticas e a política monetária do Banco Central pode gerar debates intensos nos próximos meses, testando a independência da autoridade monetária.

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